Infelizmente, volto
constrangido ao assunto doping, em setembro após o Pan escrevi:
“Ganhamos o Pan, foram
raros os casos de doping”.
O que falar neste momento?
Realmente temos a obrigação de tentar esclarecer o que aconteceu!
Suspeita quase confirmada de doping no Pan e justo de uma atleta da
natação brasileira, ganhadora de medalhas de ouro. O caso ainda está
sob-judice na polícia civil do RJ, pela descoberta de que a urina
investigada, que normalmente é dividida em dois frascos numerados
aleatoriamente no momento da coleta, eram na verdade de diferentes
pessoas (isto pelo DNA) ainda não identificadas. Existindo então
suspeita de troca da urina examinada.
Do ponto de vista técnico e para melhor entendimento vamos explicar
aos leitores que a coleta é feita com o atleta despido e seu
“sombra”, a pessoa designada para acompanhá-lo o tempo todo, deve
observar a micção em todos os seus detalhes (principalmente
anatômicos), para evitar a troca por urina de “terceiros”, trazida
num frasco escondido na vestimenta do atleta.
Neste fim de ano, ainda tivemos o desprazer de saber que mais um dos
nossos, agora um atleta paraolímpico, também teve seu exame de
detecção de doping positivo. Jogadores de futebol desconhecidos e
famosos também foram pegos no anti-doping! O que está acontecendo?
Será que acham que somos idiotas?
A Medicina mundial e brasileira não é mais bobinha, que se encolhe
com medo dos famosos. Acabar com o doping e seus executores é o
mesmo que esperar acabar com os bandidos. No futuro teme-se o doping
genético, mas vamos continuar na luta. As polêmicas continuam e
pelas notícias vão continuar. Vemos atletas que confessam seus
crimes de dopagem depois de anos, então, vamos confiar nos controles
que também se aperfeiçoam diariamente. Não posso deixar de afirmar
minha confiança no Dr Eduardo H. de Rose, um dos maiores
especialistas em Medicina do Esporte e responsável maior, pelo
controle antidoping no Pan e recentemente homenageado pela WADA –
agencia mundial de controle antidoping por sua seriedade e
conhecimento do assunto.
Saibam que de acordo com o conhecimento médico/científico ninguém
cresce de altura e envergadura naturalmente, só fazendo exercícios.
O aumento exagerado do tamanho da massa muscular, aos olhos clínicos
de um especialista, quase que sinaliza o uso de alguma substância
poderosa. A constatação de que os esteróides anabolizantes
detectados nos exames antidoping de atletas, quase que em sua
totalidade é de origem artificial, isto é, não produzido pelo
próprio organismo do atleta, confirma a má fé existente.
Nabil Ghorayeb Doutor em Cardiologia pela FMUSP
Especialista em Cardiologia e em Medicina do Esporte
Autor do livro “Ninguém Morre de Véspera” Ed. Phorte
Coordenador clínico do Sport Check-up HCor