Esse assunto é a polêmica da semana. Todo medicamento novo
leva cerca de cinco ou mais anos para ser posto à venda, depois de
vários estudos sobre seus efeitos benéficos e colaterais de risco,
além de sua interação (sua combinação) com outros medicamentos.
Os testes são feitos inicialmente em animais de laboratório,
depois em voluntários sadios, depois em doentes, em seguida
comparado com os concorrentes. Os custos atingem milhões de dólares
e caso falhe em alguma fase esse novo medicamento vai para o
arquivo. Tivemos a oportunidade de acompanhar como do grupo de
pesquisadores testando novos medicamentos em voluntários doentes:
para baixar a pressão arterial, para controlar o colesterol, para
insuficiência cardíaca, angina do peito e infarto do miocárdio.
Cerca de 30% foram abandonados porque eram ineficientes para a
finalidade que estavam indicados e com certeza muitos dólares foram
gastos inutilmente. O que aconteceu com o VIOXX teve seu lado polêmico
e ético, existente desde 1999 foi usado por mais de 22 milhões de
pessoas como anti-inflamatório não-esteróides (AINES), desde
poucos dias até por alguns meses e nunca causou maiores problemas.
Médicos usaram e o receitaram à vontade.
Nesta fatídica pesquisa estava sendo usado para outra
finalidade: prevenir o câncer de reto em quem tinha pólipos
intestinais, se fosse usado por três anos. No meio do caminho,
somente depois do 18o mês de uso contínuo, percebeu-se
que ocorreram alguns casos de trombose cerebral e infarto, sem
mortes. Imediatamente, depois de confirmados os problemas, o VIOXX
foi retirado pelo fabricante, para estudos do que aconteceu. Lembro
que existem concorrentes parecidos com ele (os inibidores COX-2) sem
efeitos colaterais de importância que continuam a ser usados, mas
agora existe o alerta para o seu uso prolongado.
O que assusta os médicos é a facilidade de se burlar a lei
que exige receita médica para a compra desses anti-inflamatórios.
A auto-medicação corre solta e aí é que mora o perigo. Milhares
de preparadores físicos , técnicos , amigos , parentes que
“receitam” anti-inflamatórios sem saber que podem causar riscos
de sangramentos digestivos, crises cardíacas de hipertensão e
assim por diante.
Se nós médicos podemos errar, o que dizer dos usuários que
se auto medicam ? Esse caso VIOXX traz vários ensinamentos: nunca
se automedicar, não existe remédio inócuo, não acredite nos
tratamentos naturais que não causam problemas, pois pouco se sabe
sobre sua composição e doses tóxicas, retirar remédios é uma
situação dramática porém serve de exemplo do que é possível
acontecer. Em milhões não havia causado problemas graves, mas de
repente no paciente milhão e um aconteceu algo. Pregamos a
necessidade de atenção aos medicamentos, voltando sempre ao seu médico
e contando possíveis efeitos colaterais que aparecerem, só assim
aumentaremos a segurança dos tratamentos. Se até água em excesso
pode fazer mal, uma química estranha ao nosso organismo e sem
controle o que poderá causar ?
Por isso os médicos estão lutando para que diagnósticos e
tratamentos só possam ser feitos por um médico, é o tão
vilependiado ATO MÉDICO, realizado por quem conhece o organismo
como um todo e mesmo assim não é infalível. Imagine quem nunca
estudou Medicina e se mete a palpitar!