Diante do sofrimento,
da cura às vezes impossível, das incompreensões, das más
condições de trabalho, tirar a dor é a maior conquista, trazer
a vida é a maior alegria, reanimar da morte em verdade mexe com
ele. Ao se dar conta do que fez, silenciosamente e a sós agradece
a Deus !
Hipócrates, (460? –377 a.C.) considerado
o Médico mais importante da Antigüidade e o "Pai da
Medicina", nasceu na ilha de Cos, 460 anos a.C., e pertenceu ao
ramo de Cos da família Esculápio (ou Asclepíades) por descendência
masculina. O termo esculápio é igualmente empregado para designar os
médicos em geral, na medida em que praticam a arte de Esculápio (ou
Asclepios), o Deus da medicina na época clássica. Segundo esta
tradição, a família de Hipócrates era descendente de Podalira,
único dos dois irmãos que sobreviveu à guerra de Tróia (1194-1184
a.C.).Segundo algumas biografias, o grande Hipócrates é o décimo-nono
descedente de Esculápio e o vigésimo a partir de Zeus. Seu nome é
associado ao juramento hipocrático, embora seja bem possível que ele
não tenha sido o autor do documento. Na verdade, das quase 70 obras que
compõem o "Corpus hippocraticum", é possível que ele tenha
escrito apenas seis. A maior parte desses textos foi escrita entre 420 e
350 a.C. e ajudou a definir as origens da tradição médica do
Ocidente. Escritas por muitas mãos e exibindo diversos estilos e
posições teóricas, as obras hipocráticas tratam de muitos aspectos
da doença e da saúde, incluindo o diagnóstico, a cirurgia, a higiene
e a terapêutica. Entre as mais significativas idéias hipocráticas
estava a de que a doença tem causas naturais, não sendo um evento
provocado pelos deuses ou por forças sobrenaturais. Um dos trabalhos
discorre sobre a epilepsia, argumentando que essa doença resulta de
bloqueios no cérebro. Outro examina o papel das condições ambientais
no aparecimento das moléstias no indivíduo e de epidemias na
comunidade. A doutrina hipocrática dos humores (sangue, bílis amarela,
bílis preta e fleuma), elaborada em "A Natureza do Homem" e
outros trabalhos, diz que a saúde é o resultado do equilíbrio desses
quatro humores e a doença resulta do desequilíbrio entre eles. Os
hipocráticos interpretavam vários sintomas de doença (vômito, tosse,
suor excessivo, urina escura e outros) como a tentativa do corpo de se
livrar do excesso ou da falta dos humores. O papel do médico era ajudar
a natureza através de medicamentos, sangrias, mudanças na dieta,
massagens e outras medidas. Para fazer isso, ele precisava saber qual
era o equilíbrio humoral de cada paciente individual. A doutrina dos
humores foi a base de boa parte da prática médica até o século XIX.
PS fonte consultada : "Hippocrates". Jacques Jouanna Fayard.
Paris, 1992.
Eis o original JURAMENTO DE HIPÓCRATES
(declamado em todas as formaturas médicas)
Juro por Apolo, o curador, por Esculápio, Higeia e Panaceia, e
tomando por testemunhas todos os deuses e deusas,
que cumprirei com todas as minhas posses e em plena consciência e os
seguintes preceitos: respeitarei os meus mestres tanto cuidarei dos seus
descendentes como meus irmãos e ensinar-lhes-ei esta arte, se assim o
pretenderem, sem receber qualquer pagamento e sem restrições; deixarei
participar das lições orais e da prática médica em primeiro lugar os
meus filhos, os filhos dos meus mestres e depois aqueles que, por
compromissos e juramentos, se declarem meus discípulos e acatem as
regras da profissão, e a mais ninguém além deles. Prescreverei aos
enfermos, segundo o melhor juízo e o meu saber, o regime conveniente
para seu benefício, preservando-os de qualquer dano. Defender-me-ei das
súplicas e dos agrados de quem quer que seja para lhes ceder venenos
que possam causar a morte, nem tomarei a iniciativa de tal sugestão. Do
mesmo modo, não fornecerei às mulheres meios de impedir a concepção
ou o desenvolvimento da criança. Em todas as circunstâncias exercerei
a minha arte com pureza e honestidade. Não ousarei praticar a
operação da pedra, mesmo nos enfermos em que a doença seja manifesta,
confiando-os aos que se ocupem especialmente dessa prática. Em qualquer
lar em que entre, terei apenas em mira o proveito dos doentes,
abstendo-me de toda a ação prejudicial e corruptora, sobretudo quanto
à voluptuosidade nos contactos com homens e mulheres, sejam livres ou
escravos. Tudo do que eu tiver dado fé, durante a cura ou fora dela, na
vida familiar, conservá-lo-ei secreto, se não me for permitido
divulgá-lo. Se eu mantiver e observar este juramento com fidelidade,
que me sejam concedidas vida afortunada e honra na profissão, e que a
minha fama se propague entre os homens e perdure no tempo: mas se eu me
desviar dele ou o violar, que a sorte me seja adversa.