Diversas
vezes perguntamos a um vendedor de lojas de calçados esportivos,
qual é o melhor tênis para a prática de uma determinada
modalidade. Observamos uma variedade enorme de modelos e marcas
direcionando para uma ou mais atividades físicas. Atualmente,
existem pesquisas científicas, em todo o mundo à procura de
materiais mais específicos para as diversas modalidades e
principalmente o estudo biomecânico do movimento para a adequação
ao tipo de atividade.
Segundo os conceitos mais modernos em tecnologia do calçado
esportivo é imprescindível que o tênis, além de esteticamente
aceitável e economicamente viável, se adapte perfeitamente a
anatomia do pé e às exigências funcionais, proporcionando saúde
e conforto. Biomecânicamente falando, o calçado deve otimizar o
rendimento, diminuindo o gasto energético; prevenir lesões e
controlar as sobrecargas ao aparelho locomotor.
A preocupação com este fator, é o de ao analisarmos a
biomecânica dos movimentos naturais (andar, correr, saltar) e as
atividades físicas na academia, associado ao calçado, temos que
saber que durante o movimento existem forças internas
atuando diretamente nos músculos, tendões, ligamentos, ossos,
articulações e cartilagens, provocando pressão, tração,
flexão, hiperextensão, etc. Além disto, forças externas
também atuam, como: força de reação do solo, gravidade,
inércia, atrito, resistência do ar; tendo como conseqüências um
alto estresse músculo-articular. Ao movimento de marcha ou corrida
no processo inicial de treinamento, havendo qualquer anormalidade ou
dores freqüentes durante o movimento, é pertinente consultar um
ortopedista para diagnosticar possíveis alterações biomecânicas
que podem causar lesões.
Poderíamos então colocar algumas considerações simples do que
seria ideal como calçado esportivo. Teríamos que analisar:
Para qual ou
quais atividades físicas ele vai ser utilizado, e em qual piso
(grama, asfalto, esteira, terra, morros, areia);
Ao
escolher o tênis, observar a anatomia funcional dos seus pés
nas suas três dimensões, para adequar uma forma e conseqüentemente
uma palmilha adequada ao seu modelo;
A altura do
calcanhar deve variar no máximo de 0 a 5 cm, e o reforço nesta
região deve ser maior pois, durante a marcha a pressão
exercida nesta região é de 45 a 65% do peso corporal e 30 a
47% sobre a parte anterior (Arcan & Brull, 1976).
O material
deve ser macio tendo a parte da frente conformada com a largura
do pé e altura do "salto", para aumentar a
estabilidade,
Também deve
ser leve e ter permeabilidade adequada para a melhor
ventilação interna.
Parece
haver um consenso dos pesquisadores em personalizar o calçado,
adaptando às formas e às medidas de cada pessoa tornando-as
completamente individualizadas, como já é feito com atletas de
elite. Na prática com indivíduos não atletas, torna-se
impraticável por várias razões, inclusive custos e
disponibilidade técnica.
utro
fator muito importante no uso do tênis é o uso das meias. Quantas
e quantas vezes observamos corredores iniciantes correndo sem elas.
A
temperatura do pé em clima temperado é da ordem de 27º a 30º. Em
calçado fechado de couro, após 1 hora de marcha, esta temperatura
se eleva a 36º. Nesta condição, haverá grande secreção de
suor, que deverá ser absorvido pelo material do calçado ou
evaporar-se através de suficiente ventilação. Isto não
acontecendo, a umidade relativa em torno do pé excedendo de muito
os 60% ideais, aumentará ainda mais a secreção, ficando o pé
encharcado. Ocorrendo isto após algumas horas, a maceração da
epiderme, com a decomposição de células epiteliais e de
substâncias orgânicas do suor, além de provocar desagradável
odor, vai causar irritação cutânea e propiciar infecções,
especialmente: micoses, eczemas, pé-de-atleta e onicomicoses (Henning,1987).
Com
isto, o uso de meias de algodão, não tão apertadas para não
dificultar o retorno venoso, poderá impedir uma possível lesão e
também propiciar um maior conforto aos pés durante a atividade
física.
Fontes:ARCAN,
M.; BRULL, M.A. Mechanical parameters describing the standing
posture,based on the foot-ground pressure pattern. Biomechanics
V-B 415-425, 1976.
HENNING,
E.E.: Calçado e a saúde dos pés. Tecnicouro, v11,n.4,38-46, Novo
Hamburgo, 1989.