Manoel
Gomes Camargo Netto, que não conseguia caminhar até a padaria
perto de casa há cerca de dois anos, ficou desconfiado quando a
médica lhe propôs fazer ginástica para auxiliar no controle da
insuficiência cardíaca. O aposentado de 66 anos fez parte de um
grupo de 12 pacientes com a síndrome que conseguiram melhorar a
capacidade cardiorespiratória e o condicionamento físico fazendo
exercícios controlados três vezes semana. Eles participaram de uma
pesquisa inédita da cardiologista Fabiana Roveda, do Incor. O
trabalho foi realizado com a Universidade da Califórnia em Los
Angeles (EUA) e premiado no último Congresso Brasileiro de
Cardiologia. Os pacientes usavam medicamentos quando começaram os
testes e continuaram durante a pesquisa. "Agora até voltei a
fazer pequenos trabalhos, ando sozinho, dirijo", diz Camargo
Netto. O estudo mostrou que o exercício físico diminui pela metade
a atividade do sistema nervoso simpático (parte do sistema nervoso
autônomo) responsável pela descarga de hormônios que aumentam as
batidas do coração e diminuem a quantidade de sangue que passa
pelos vasos sangüíneos. Os benefícios alcançados com os
exercícios foram tão expressivos que a atividade nervosa
simpática e o fluxo de sangue nos vasos dos pacientes com a
síndrome foram comparados àqueles de pessoas saudáveis, após
quatro meses de exercício físico. "Quanto maior a atividade
nervosa simpática, maior é a mortalidade de pacientes com
insuficiência cardíaca", diz o diretor da unidade de
reabilitação cardiovascular e fisiologia do exercício do Incor, o
fisiologista Carlos Eduardo Negrão, orientador da tese.
Maior
parte dos óbitos é pela manhã
Pesquisa
realizada de 1994 a 2000, no Instituto do Coração, em São Paulo,
constatou que óbitos causados por insuficiência cardíaca ocorrem
em horários diferentes em homens e mulheres. No total, foi
analisado o horário da morte de 508 pessoas (308 homens e
200mulheres). Segundo o autor da pesquisa, o cardiologista José
Fabri Júnior, 32 a maior parte dos óbitos aconteceu no período
entre 6h e 7h. Quando feita a analise separadamente por sexo, Fabri
explica que o pico de óbitos nas mulheres continuava entre as 6h e
7h. Já nos homens havia dois picos: entre as 6h e 7h e entre 23h e
0h. Uma explicação para os picos de morte matinais é o aumento
natural da pressão arterial e da frequência cardíaca pela manhã,
numa tentativa do corpo de "deixar o organismo mais
desperto". Porém, apenas teorias explicam os picos noturnos de
óbitos em homens. Por ser mais grave, diz Fabri, a insuficiência
cardíaca nos homens analisados poderia tê-los deixado menos aptos
para suportar as mudanças que ocorreram no organismo durante a
noite. "À noite, o líquido acumulado no corpo vai para o
coração. Nesse retorno, o coração fraco tem que trabalhar mais.
Pode ocorrer um acúmulo de líquido no pulmão e a morte por edema
pulmonar agudo, por exemplo."